Violência de gênero: viajante solo

Este triste episódio da Julieta me fez lembrar de situações de abusos e riscos inerentes à minha condição de gênero durante viagens solo. A primeira situação foi durante o Caminho de Santiago francês em 2009. Fui pedir informações para um senhor sentado numa cadeira num bar e ele simplesmente agarrou meus seios com as duas mãos. Inclinei para trás e me desvencilhei da situação. De Santiago de Compostela fui para Roma e Assis, terra de São Francisco de Assis. Fui conhecer a gruta fora da cidade de Assis no topo de uma colina onde Assis rezava e passava seus dias. Fui a pé e peguei uma carona de um guarda parque para chegar lá em cima rápido. Tinha hora para pegar o trem de volta, por isso peguei carona, mas achei que estava segura por ser um guarda parque. Em italiano, ele falava mulher brasileira e apontava para as minhas genitálias. Eu iria pular do carro, mas quando chegou na gruta, tinha movimento e ele diminuiu a velocidade e eu saltei do carro. A outra situação em 2011 foi na hora do ataque ao topo do Kilimanjaro. Eu fui a primeira a subir sozinha junto com o guia. E o guia naquela situação inóspita me roubou um beijo à força. Agi com naturalidade e fui até o topo tirar a fotografia, mas ele já tinha estragado minha aventura. Era para descer em 2 dias e eu desci num dia só para me desvencilhar daquela situação. No final da expedição, o guia ainda me coagiu a dar vultosas gorjetas para equipe. Esses episódios não conseguiram macular a alegria de conhecer esses lugares. Enfim, não adiantou dizer que tinha marido no Brasil. Infelizmente mulheres viajantes solo, por vez e outra, correm perigos e sofrem abusos. Eu não havia compartilhado essas situações com ninguém, porque não dei importância. Mas vendo o que aconteceu com Julieta resolvi compartilhar minhas agruras. Nós mulheres precisamos lutar para a mentalidade do patriarcado mudar, sempre denunciando abusos e violências de gênero.

#julietapresente

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