Fragmentos

“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.

Sentir tudo de todas as maneiras.

Sentir tudo excessivamente,

porque todas as coisas são, em verdade, excessivas

E toda a realidade é um excesso, uma violência,

Uma alucinação extraordinariamente nítida

que vivemos todos em comum com a fúria das almas,

o centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas

que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,

quanto mais personalidade eu tiver,

quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,

quanto mais simultaneamente eu sentir com todas elas,

quanto mais unificadamente diverso, dispersamente atento,

estiver, sentir, viver, for, mais possuirei a existência total do universo,

mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,

porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,

e fora d’Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Fernando Pessoa, poeta português, 1888-1935.

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